quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Fragmentos 2



A Morte!

Minha lembrança mais marcante da infância é triste e mórbida.

Eu tinha 5 anos quando a minha irmã, Tânia, faleceu aos 4anos de idade.

Lembro de tudo...
Lembro que fui dormir na casa da vizinha, pois meus pais haviam levada a Tânia ao hospital.
Lembro que ninguém veio me buscar e dormi na cama da minha amiga Iara!
Lembro que acordei sabendo que ela estava morta
Como eu soube? Não sei..

Ninguém me falou nada!
Mas eu sabia!

Lembro que, pela manhã, minha madrinha veio me buscar. Ela estava com os olhos vermelhos com cara de choro.
Não falou nada, apenas me pegou pela mão e me levou pra casa.

Jamais esquecerei a cena...
A porta aberta...
O caixão na sala...
Ela com sua roupinha de anjo....branca de cetim...com flores no cabelo.
Parecia uma linda criança dormindo

A casa cheia de gente me olhando e falando coisas que eu não entendia, aliás nem ouvia, pois só conseguia escutar o choro da minha mãe!
Ela estava no quarto, deitada na cama, completamente transtornada e falando coisas sem nexo, enquanto as amigas tentavam ampará-la com o inútil consolo dessas horas.
Meu pai, estava ao lado do caixão, sem um pingo de sangue na face e com os olhos sem cor.

Lembro que sentei no cantinho do sofá, como quem não quer atrapalhar, e ali fiquei. Fiquei horas imóvel com os olhos secos e fixos no retrato dela, na parede.

Na hora do enterro, minha mãe estava sedada e meu pai me levou para a despedida...me ergueu para que eu beijasse a "mana" e eu explodi!
Chorei muito, chorei tudo o que ficou sufocado por horas.

Lembro que fui ao cemitério, com meu pai, na “Kombi” do meu padrinho e chovia muito.

Naquele 25 de julho, me despedi da minha irmã...no colo do meu pai, chorando ....”tchau Taninha”...eu repetia sem parar...

É a única imagem dela...a única que consigo lembrar!
Não consigo lembrar dela viva, nem das nossas brincadeiras de menina.

Vejo as nossas fotos juntas...ela com seu sorriso meigo, imitando as minhas poses... e sempre me entristece ver a minha mãe. O sorriso e os olhos brilhantes...minha mãe era tão jovem e tão bonita, nem imaginava o que estava por vir...

Imagino como teria sido a nossa vida, seríamos amigas e confidentes?
Penso que deve haver algum sentido nessa partida tão prematura.

Desígnios que desconheço e que me marcaram para sempre!

Lia
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