terça-feira, 30 de março de 2010

Ao MESTRE com carinho!

"Heróis são reféns da glória.
Vivem sufocados pela tirania da alta performance."
Armando Nogueira (14/01/1927 a 29/03/2010).


Morreu o jornalista Armando Nogueira. Pioneiro do jornalismo no Brasil, criador do "Jornal Nacional”.

Tinha 60 anos de carreira, era formado em Direito e o seu primeiro emprego como jornalista foi em 1950,  na seção de esportes no Diário Carioca. Esse jornal reunia, na época, os mais expressivos jornalistas do Rio de Janeiro como Prudente de Moraes Neto, Carlos Castello Branco, Otto Lara Resende, Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Pompeu de Souza. Trabalhou também no Diário da Noite. Depois de uma passagem pela revista Manchete, em 1957, foi para a revista O Cruzeiro, dos Diários Associados, propriedade de Assis Chateaubriand e, em 1959, para o Jornal do Brasil.

Em 1966, convidado por Walter Clark, foi para a Rede Globo. Nos 25 anos que passou na Globo foi responsável pela implantação do jornalismo em rede nacional e pela criação do Jornal Nacional (primeiro jornal com transmissão em rede e ao vivo da história da televisão brasileira) e Globo Repórter.

No início de 1990, Nogueira deixou a TV Globo para se dedicar ao jornalismo esportivo, sua grande paixão. (A partir de 1954, esteve presente na cobertura todas as Copas do Mundo e, desde 1980, de todos os Jogos Olímpicos.)

Foi comentarista do programa Cartão Verde, da TV Cultura, entre 1992 e 1993; e da TV Bandeirantes, de 1994 a 1999. No SporTV, canal da Globosat, participou em programas de 1995 a 2007. Mantinha uma coluna reproduzida em 62 jornais brasileiros, um programa no canal por assinatura SporTV, um programa de rádio e um site na Internet.

Armando Nogueira tinha um encantamento pelo texto e encantava as pessoas com ele. Escreveu dez livros, todos sobre esportes.
 
Era objetivo, escrevia textos modernos, frases curtas, sem abrir mão do lado lírico do texto.
Era chamado “O poeta do esporte”.

Texto requintado, obsessão pela qualidade jornalística e grande capacidade de liderança foram algumas das muitas qualidades de Armando, que unanimemente era tratado pelos colegas de profissão como "Mestre".

Autor de textos memoráveis, "falava de futebol com simplicidade" e "fazia os assuntos mais complicados parecerem o mais simples possível". Foi repórter, redator e colunista. Era, também, piloto e poeta.

Mas quando alguém dizia que ele era um vencedor, rebatia com humildade:
-“Não, sou apenas um lutador”.
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