sexta-feira, 19 de março de 2010

PÁRE UM POUCO E VIVA...

Ninguém mais pensa em desconectar, em parar de fazer algo por alguns momentos do dia. Não dá mais. Precisamos trabalhar muito, o dinheiro anda cada vez mais escasso. Sei disso.

Dormir um pouco mais? Hã? Cai fora, isso dá culpa. Tempo é dinheiro: o negócio é trabalhar, é produzir à exaustão para ter um pouco mais de conforto. Para uns, é questão de sobrevivência – entendo, país pobre... Para outros, os mais sortudos, uma casa na praia, uma na serra, o carro do ano, viajar como um alucinado, roupas de grife e, no final, deixar um belo testamento... Também entendo. O ser humano é assim: quando tem o que mostrar, não mede as consequências e quase se mata. Mas a vida cobra:

Coitado! Já era... Mas viveu feliz, teve tudo o que quis – diria alguém, lá no velório do falecido. Será?

E depois do coitado ter se matado de trabalhar, nada vai mudar por aqui: a vida vai continuar a mesma: com seus terremotos, furacões, enchentes, os animais sofrendo nas mãos dos homens, epidemias se espalhando e os homens se matando barbaramente. E por nada. Será que vale tanto o sacrifício?

Desaprendemos a ficar um pouco na inércia. A cadeia de obrigações com hora marcada, a pressão no trabalho, preocupações com a família e ainda manter um certo status econômico geram o maldito estresse. Estresse que abre as portas pra tudo. Assim estamos nós, meio vulneráveis, uns coitados, num planeta em extinção. Credo!

Nossas férias tornaram-se um pesadelo: temos pouco tempo para conhecer o mundo que nos rodeia, pois o laptop e o celular não tiram férias... Vão juntos e solidários na alegria e na tristeza, até que a morte os separe.

Mas, enfim, cheguei ao meu momento de reflexão: agora estou dando mais valor à paz de espírito e à saúde. Estou dando prioridade ao essencial, e quero fazer jus ao que mereço: já briguei; já sofri; já tive minhas perdas; já entrei em discussões que nada acrescentaram. Mas contudo, sou feliz. Temos momentos de felicidade e momentos de tristeza.

Esta crônica nasceu num dia em que resolvi acordar mais tarde... Depois, veio chegando - de mansinho -, uma culpa desgraçada, como se quisesse me dizer: hei, sua preguiçosa, vai ficar aí esticada até quando? Putz...

Naquele momento, senti que precisava mudar o rumo das coisas, e resolvi desafiar antigos conceitos que absorvi da própria sociedade. Eu só quero poder reger a minha vida, como um maestro: pegar a batuta e escolher a melodia que for melhor pra mim, no meu compasso.

Tais Luso de Carvalho


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