sábado, 8 de maio de 2010

Para uma grande MULHER!

Ela nasceu em 1930, sob o sol de Leão que iluminava a Serra Gaúcha naquele inverno. Filha de imigrantes italianos viveu a infância e juventude na “colônia italiana”, onde era a moça da casa grande, a filha do patrão.

Moça prendada, bordava como ninguém, tecendo verdadeiras obras de arte ponto a ponto. Naquela época, a instrução escolar era bastante limitada para as mulheres, mas as prendas domésticas eram ensinadas pelas mães e avós. Afinal, toda moça “casadoira” tinha que saber cozinhar, costurar, bordar, lavar e engomar as roupas. E ela aprendeu!

Era bonita e sorridente, simpática e tagarela. Casou com cabeça cheia de sonhos que logo começaram a ruir. Da casa própria, confortável e acolhedora, foi arrastada pela falência, provocada pelos devaneios do marido, chegando a morar num casebre.

A vida foi seguindo seu curso, nasceram as 3 filhas, o marido reconquistou dinheiro e posição. Vida de altos e baixos, com pequenas alegrias e grandes tristezas, como a morte da filha de 5 anos.
Passou a vida lutando ao lado do marido.
- Ela, enfrentando a realidade, educando e orientando as filhas com a sabedoria da sua simplicidade.
- Ele, vivendo intensamente seus sonhos individuais e delirando no seu egoísmo, ausente da família e muito presente em “outras alcovas”.

As mulheres da sua geração foram criadas para a submissão. Esperava-se delas a passividade ou melhor, aguentar os desvarios do marido com “classe” (era este o nome que se dava ao famoso “sangue-de-barata"). Mas ela queria mais da vida!

Passados 30 anos, ela “chutou o balde”, foi viver sua vida sozinha. Foi como “Nora”, de Ibsen, saiu fechando a porta atrás de si. E nunca mais voltou!

Mulher corajosa e determinada foi à luta, conseguindo seu primeiro emprego aos 53 anos! Não queria depender das filhas.
Hoje, aposentada, vive com saúde e disposição de fazer inveja a qualquer jovem, cuida dos seus cachorros e gatos como se fossem filhos e adora ensinar italiano aos netos, que se divertem com suas histórias engraçadas.

Seu segredo? Ela revela: - Quer chegar bem aos 80 anos, sem tomar nenhum remédio como eu?... Então coma pouco, durma bem, caminhe muito, pratique o bem, nunca perca a esperança e tenha fé em Deus!

Ela é o exemplo vivo da superação, coragem e determinação. Neste DIA DAS MÃES, faço esta pequena homenagem a essa grande mulher, guerreira, generosa, simples e de fé inabalável, que tive a honra de ter como MINHA MÂE!

TE AMO, MÃE! E tenho muito orgulho de ser sua filha!
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