domingo, 8 de março de 2015

Dia Internacional da Mulher



A mulher imobilizada 


No século XIX, a reverência à mulher como o anjo da casa, a rainha do lar, não passava de um pretexto para sua subjugação. Anteriormente, uma das razões mais poderosas para conservar a mulher subordinada era a de que ela tinha grande importância nas atividades domésticas. 


Com a industrialização, e a possibilidade de contratar empregados, essa razão perdeu a força. Um novo pretexto era necessário. Surgiu então o da incapacidade feminina de se amparar, o que se tornou um ideal social. 



As mulheres corresponderam ao que delas se esperava e tornaram-se verdadeiramente incapazes de amparo próprio por meio da moda. A partir de 1820, elas começaram a se aprisionar em espartilhos, rendas e enormes mangas forradas de tela engomada e de outras formas de ficarem imobilizadas. 



Em 1855, surge a grande descoberta mecânica da vestimenta. A imperatriz francesa Eugenia introduz a crinolina – tecido feito de crina e preso a uma armação de aço flexível. Seu uso permitia aliviar o peso das diversas anáguas e liberar o movimento das pernas. 

A mulher vitoriana carregava em torno de quinze quilos de roupas e acessórios: vários corpetes, três ou mais anáguas, vestidos com muitos 20 metros de tecido e cheios de adornos, saia de armação, mais um pesado xale (quando saía de casa) e uma grande touca ou chapéu totalmente decorados. 

Toda essa pesada vestimenta mais o espartilho, conferiam as mulheres um aspecto frágil, vulnerável, algo entre criança e anjo - inocentes, tímidas, sensíveis...

Trecho de "O Livro do Amor", de Regina Navarro Lins.
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